ECONOMIA

'Pedaladas fiscais' continuaram em 2015, diz MP ao Tribunal de Contas



Uma representação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) afirma que a prática de atrasar repasses a bancos públicos, conhecida como “pedalada fiscal”, continuou sendo adotada pelo Executivo em 2015. Por conta de procedimentos como esse, o TCU aprovou, na semana passada, um parecer que recomenda ao Congresso Nacional a rejeição das contas do governo federal de 2014.
O documento, assinado pelo procurador do MP junto ao TCU Júlio Marcelo de Oliveira, foi protocolado na quinta-feira (8). Agora, a representação será analisada pelo TCU.

A representação do MP informa que, em junho de 2015, as “pedaladas fiscais” somavam R$ 40 bilhões. Trata-se do mesmo valor praticado em todo o ano passado. No cálculo deste ano, o maior valor devido pelo governo federal foi para o BNDES (R$ 24,5 bilhões), seguido do Banco do Brasil (R$ 13,5 bilhões) e da Caixa Econômica Federal (R$ 2,2 bilhões).

Para o TCU, as “pedaladas” funcionam como uma espécie de “empréstimo” à União, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O mecanismo consiste no atraso dos repasses para bancos públicos do dinheiro de benefícios sociais e previdenciários, o que acaba obrigando as instituições financeiras a usar recursos próprios para honrar os compromissos.

Na representação, o procurador também pede a realização de inspeção junto ao Banco Central, Tesouro Nacional e Ministério das Cidades, além das instituições financeiras, a fim de identificar e ouvir os responsáveis pelas operações.

Decretos
Outro ponto questionado pelo TCU nas contas de 2014 foi a edição irregular de decretos que abriram créditos suplementares, o que também seguiria ocorrendo em 2015. A suspeita é alvo de uma segunda representação, também de autoria do procurador.

De acordo com o MP, a presidente Dilma Rousseff editou em 2015 seis decretos, que ampliam gastos em R$ 2,5 bilhões, “sem a comprovação de que haja compatibilidade com a meta fiscal”.

Neste caso, o procurador propõe a realização de inspeção junto à Presidência da República e ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, “podendo se estender a outros órgãos, se for o caso”, a fim de identificar e ouvir os responsáveis pela edição dos decretos, para a consequente responsabilização deles.

Procurada pelo G1, a Advocacia-Geral da União ainda não se manifestou sobre o conteúdo das representações.

Rejeição das contas
No julgamento da semana passada, o TCU entendeu que, devido a irregularidades, como as chamadas “pedaladas fiscais”, as contas de 2014 não estavam em condições de serem aprovadas.

O relatório do órgão de fiscalização será avaliado agora pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso e, depois, pelo plenário da Câmara e do Senado – ou em sessão conjunta do Congresso Nacional, caso haja um acordo entre as Casas.

Conforme o relator do caso, ministro Augusto Nardes, as irregularidades cometidas no ano passado somaram R$ 106 bilhões, sendo R$ 40 bilhões referentes às “pedaladas fiscais”.

Para Nardes, ao adotar manobras para aliviar, momentaneamente, as contas públicas, o governo desrespeitou princípios constitucionais e legais que regem a administração pública federal. Ele concluiu ainda que “os atos foram praticados de forma a evidenciar uma situação fiscal incompatível com a realidade”.

Presente à sessão, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, negou que o governo tenha cometido qualquer irregularidade. Ele também lembrou que a prática de atrasar os repasses foi adotada em governos anteriores, sem ter sido questionada pelo TCU. Na ocasião, o ministro criticou ainda o que chamou de “politização” do debate.

Fonte: G1
Foto: Divulgação

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