Economia: Governo emite US$ 1,5 bilhão em títulos da dívida externa

Governo emite US$ 1,5 bilhão em títulos da dívida externa



Depois de ficar cerca de um ano e meio fora do mercado de emissão de bônus soberanos (títulos dívida externa), o governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (10) que buscou US$ 1,5 bilhão lá fora.

Desde setembro de 2014 o Tesouro Nacional não emitia papéis da dívida externa. Na operação desta quinta, a demanda por eles, segundo interlocutores do governo, ficou em cerca de US$ 6 bilhões, ou seja, quatro vezes o valor da oferta.

Fontes da área econômica explicaram que a decisão de fazer a operação neste momento se deve à melhora do cenário para os mercados emergentes nos últimos dias - com alguma recuperação observada nos preços das "commodities", como minério de ferro e petróleo.
Os recursos buscados no exterior vão para as reservas internacionais brasileiras, que atualmente superam os US$ 370 bilhões.

Os títulos emitidos pelo governo vencem em 2026, momento no qual os investidores receberão os recursos de volta. Esse prazo é relativamente curto para operações no exterior. Além disso, o Tesouro Nacional paga os juros aos investidores a cada seis meses.

Taxa de juros
De acordo com o Tesouro Nacional, a chamada taxa de retorno ao investidor, ou seja, quanto o governo brasileiro pagará em juros, ficará em 6,125% ao ano nesta operação.
A taxa é bem superior à que foi paga na emissão anterior, em setembro de 2014, de 3,88% ao ano. Naquela operação, o prazo para resgate foi semelhante.

Os juros acordados nesta quinta também são os maiores para papéis com prazo de cerca de dez anos, em dólares, desde janeiro de 2009 - quando os juros foram de 6,127% ao ano.

Primeira captação após rebaixamento
Os juros maiores são um reflexo da decisão das agências de classificação de risco de rebaixar a nota da dívida brasileira e tirar do país o chamado grau de investimento - um selo de bom pagador, uma recomendação para investir no país.
Essa foi a primeira emissão de títulos da dívida externa desde que o país perdeu o grau de investimento das três maiores agências de classificação de risco (Standard & Poors, Moody´s e Fitch).

Referência para empresas
As emissões da dívida externa do país não podem ser adquiridas por investidores brasileiros. Mas o resultado das captações pelo Tesouro Nacional permite que as empresas daqui calculem quanto pagariam para fazer empréstimos no exterior.
As captações de recursos no mercado também geram aumento da dívida externa brasileira, estimada em US$ 332 bilhões em janeiro deste ano.
Os investidores que compram esses papéis da dívida pública pagam em dólar ou outras moedas, como euro, e até em reais. Na data do chamado vencimento - quando acaba o prazo dos papéis - eles recebem de volta o valor pago ao governo brasileiro.

Além disso, o Brasil paga juros a esses investidores, a cada seis meses ou um ano, dependendo do contrato. O lançamento de bônus no mercado externo funciona como um leilão: os investidores fazem suas propostas de taxa de juros e quantidade de títulos que desejam receber, e o Tesouro aceita ou não.

Fonte: G1
Foto: A/D
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