Economia: Inadimplência total e juro bancário sobem e batem novo recorde em abril

Inadimplência total e juro bancário sobem e batem novo recorde em abril



A taxa média de juros cobrada pelos bancos e a inadimplência em todas as suas operações com recursos livres (excluindo crédito imobiliário, rural e do BNDES) avançaram em abril e bateram novo recorde da série histórica do Banco Central, que começa em março de 2011.

Números divulgados nesta quarta-feira (25) mostram que os juros bancários médios, ainda com recursos livres, cresceram 1 ponto percentual em abril, para 52% ao ano. Já a inadimplência destas operações, para pessoas físicas e para empresas, atingiu o patamar de 5,7% em março. Em ambos os casos, são as maiores taxas em 5 anos.

O aumento da inadimplência das empresas e das famílias acontece em um momento de forte recessão na economia brasileira. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 3,8% e, para este ano, a previsão de economistas é de um tombo semelhante. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego superou 10,9% no primeiro trimestre deste ano.

Pessoas físicas e empresas
O BC informou que a taxa de inadimplência das pessoas físicas, nos empréstimos bancários com recursos livres, que mede atrasos nos pagamentos acima de 90 dias, somou 6,2% em abril – o maior patamar desde junho de 2013, quando somou 6,3%.

Já a taxa de inadimplência de empresas subiu de 4,9% em março para 5,1% em abril, o maior nível desde o início da série - em março de 2011.

Os números do Banco Central mostram ainda que os juros cobrados de pessoas físicas subiram 1,6 ponto percentual em abril, para 70,8% ao ano (também o maior da série), enquanto que os juros bancários médios cobrados das empresas, ainda nas operações com recursos livres, ficaram estáveis em 31,1% ao ano no mês passado.

Juro bancário x taxa básica
O aumento dos juros bancários, nos últimos meses, acompanhou a alta da taxa básica da economia, a Selic, fixada pelo Banco Central a cada 45 dias para tentar conter as pressões inflacionárias. A taxa Selic, porém, subiu bem menos do que os juros bancários.

Desde o início de 2015, taxa avançou de 11,75% para 14,25% ao ano, ou seja, um aumento de 2,5 pontos percentuais.

Os números mostram que os bancos elevaram suas taxas de juros ao consumidor de maneira bem mais intensa. No mesmo período, os juros bancários médios (sem contar crédito habitacional, rural e do BNDES) subiram 12,9 pontos percentuais e aqueles cobrados somente das pessoas físicas avançaram 18,8 pontos percentuais.

Reportagem publicada pelo jornal norte-americano “The New York Times”, no fim de 2014, informou que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”, citando os cartões de crédito.

Estudo da consultoria Economática, divulgado em março deste ano, informa que a mediana da Rentabilidade sobre o Patrimônio (ROE) de todos os bancos brasileiros de capital aberto no ano de 2015 foi de 10,78%, contra 7,92% dos bancos dos Estados Unidos.

Quando se considera apenas os bancos com ativos acima de US$ 100 bilhões (Itau-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander), a mediana da rentabilidade sobre o patrimônio foi maior ainda: de 20,06% em 2015.

'Spread' bancário
Com o aumento dos juros bancários para pessoas físicas em abril, houve aumento do chamado "spread bancário" – que é a diferença entre a remuneração paga pelos bancos sobre os recursos capitados e quanto cobram nas operações de crédito.

Em março deste ano, "spread" nas operações com pessoas físicas somava 55 pontos percentuais. Em abril, avançou para 57,3 pontos percentuais. Deste modo, o spread continua em um patamar historicamente elevado. Em doze meses, houve um forte aumento de 14 pontos percentuais.

O "spread" é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Fonte: G1
Foto: A/D
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